Cada um de nós, quando era criança. Viveu em um ou mais lugares.
Estes lugares, tão diferentes, tão ricos de possibilidades,
estão guardados em algum canto da nossa memória. Então, há um lugar...
Há também um jeito de ter sido criança: uma alegre, triste,
cheia de irmãos e amigos, uma criança só, uma criança brava, uma
criança sapeca ou um pouco de tudo isto.
Há uma lembrança da criança que eu fui...
Neste pedaço de vida de cada um de nós havia um canto encantado,
o canto das nossas brincadeiras.
Brincadeiras de grupo, brincadeiras de meninas brincadeiras de meninos,
brincadeiras de brincar sozinho, sozinha...
havia a magia dos nossos brinquedos: brinquedos de loja,
jogos de papelão, brinquedo de lata,
restos de coisas de gente grande, um mundo de coisas...
Há a lembrança de um mundo de faz-de-conta que eu construí...
Puxando esse fio da memória, cada uma de nós tem uma história,
cada uma de nós tem a sua historia.
Vamos brincar e partilhar estas lembranças e esta infância,
tesouro vivo sempre presente?
Comportamentohttp://veja.abril.com.br/210207/p_08 8.shtml
Criança feliz, feliz a brincar
Uma pesquisa revela que as crianças brasileiras brincampouco – e que os pais não ajudam a mudar esse quadro
As crianças brasileiras não brincam o bastante.
Esse é o cenário revelado pelo maior e mais minucioso levantamento
já feito no Brasil sobre o hábito de brincar de meninos e meninas entre 6 e 12 anos.
Encomendada pela multinacional Unilever e conduzida pelo Instituto Ipsos,
a pesquisa foi feita em 77 cidades –
um universo que representa 31,5 milhões de pais e 24,3 milhões de crianças.
O resultado é preocupante porque dedicar pouco tempo aos jogos
pode comprometer o desenvolvimento infantil.
Brincar é um dos quatro parâmetros usados para medir o bem-estar de
uma criança – ao lado da qualidade do sono, da alimentação e da higiene.
Como definiu Brian Sutton-Smith, um dos principais educadores
dos Estados Unidos: "O contrário de brincadeira não é trabalho. É depressão".
Crianças que brincam mais se tornam jovens e adultos melhores.
Os jogos e divertimentos (civilizados, é claro) estimulam a inteligência,
ensinam valores, colocam a criança em contato com suas habilidades e dificuldades,
despertam a imaginação e a criatividade e aliviam tensões.
A brincadeira precisa ser prazerosa e variada para ter qualidade.
Os pesquisadores do Instituto Ipsos criaram o "Índice Brincar"
para avaliar a qualidade das brincadeiras,
levando em conta o tipo de atividade e o tempo gasto com ela.
De acordo com esse índice, 39% das crianças brasileiras
não brincam como poderiam.
A INFÂNCIA E SUA SINGULARIDADE
Sônia Kramer
Infância:
* categoria social
* Categoria da história humana
* Período da história de cada um (do nascimento
até aproximadamente 10 anos de idade)
Para planejar o trabalho e implementar o currículo é necessário refletir:
Como as pessoas percebem as crianças
Que valor é atribuído à criança por pessoas de diferentes classes e grupos sociais?
Qual é o significado de ser criança nas diferentes culturas?
Como trabalhar com as crianças de maneira que sejam considerados seu contexto de origem, seu desenvolvimento e o acesso aos conhecimentos, direito social de todos?
Conceito de infância não existiu sempre e da mesma maneira; surgiu com a sociedade capitalista, no contexto histórico e social da modernidade, com a redução da taxa de mortalidade infantil, graças ao avanço da ciência e a mudança econômica e social.
Numa sociedade desigual, as crianças desempenham, nos diversos contextos, papéis diferentes.
Alguns pensadores hoje, denunciam o desaparecimento da infância.
Mas é a idéia de infância que entra em crise ou a crise é a do homem contemporâneo e de suas idéias?
Crianças são cidadãs, pessoas detentoras de direitos, que produzem cultura e são
nela produzidas.
É específico da criança:
Seu poder de imaginação;
Fantasia;
Criação;
Brincadeira.
As crianças brincam, isto é o que as caracteriza, estabelecendo novas relações e combinações.
Contribuições de Walter Benjamin:
A criança cria cultura, brinca e nisso reside sua singularidade.
A cultura infantil é, pois produção e criação. As crianças produzem cultura e são produzidas na cultura em que se inserem é que lhes é contemporânea.
Nossas propostas curriculares garantem o tempo e o espaço para criar?
Ao valorizar a brincadeira, Benjamin critica a pedagogização da infância e faz cada um de nós pensarmos: É possível trabalhar com crianças sem saber brincar, sem ter nunca brincado?
b) A criança é colecionadora, dá sentido ao mundo, produz história.
A história de cada um e cada uma de nós vai sendo reunida, e só pode ser contada por nós.
c) A criança subverte a ordem e estabelece uma relação crítica com a tradição.
Conhecer a infância e as crianças favorece que o humano continue sendo sujeito crítico da história que ele produz (e que o produz).
d) A criança pertence a uma classe social.
As crianças não formam uma comunidade isolada; elas são parte do grupo e suas brincadeiras expressam esse pertencimento.
Educação infantil e ensino fundamental são freqüentemente separados. Porém, do ponto de vista da criança, não há fragmentação. Os adultos e as instituições é que muitas vezes opõem educação infantil e ensino fundamental, deixando de fora o que seria capaz de articulá-los: a experiência com a cultura.