ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO
A concepção pedagógica de um educador é revelada na organização do espaço escolar, interno e externo.
Segundo Horn (2004), O olhar de um educador atento é sensível a todos os elementos que estão postos em uma sala de aula.
Planejar o espaço de convívio escolar é fundamental, adequando-o às atividades específicas para cada faixa etária.
Esse deve ser acolhedor e desafiador.
A criança necessita de um espaço povoado de objetos que lhe proporcione a imaginação, criação, construção, interação, expressão de emoções, elaboração de conceitos e brincadeira.
Esse espaço não deve ser o mesmo para crianças menores e maiores.
“... a forma como organizamos o espaço interfere, de forma significativa, nas aprendizagens infantis. Isto é, quanto mais esse espaço for desafiador e promover atividades conjuntas, quanto mais permitir que as crianças se descentrem da figura do adulto, mais fortemente se constituirá como parte integrante da ação pedagógica”. (Horn, 2004)
Nossas escolas, na sua maioria, foram construídas pensando-se em impor a ordem e disciplina, esquecendo-se das necessidades das crianças, como um espaço fechado.
A disposição dos móveis e objetos nas salas de aula também dá continuidade a esse pensamento.
Não podemos esquecer que a criança em sua plenitude é um cidadão, que está construindo sua própria história, inserida num contexto, em lugares que muitas vezes não foram feitos para ela.
E é neste espaço físico que a criança estabelece relações e emoções. A qualidade deste é que o tornará um ambiente.
Espaço refere-se aos locais e ambiente refere-se ao conjunto do espaço físico e às relações que nele se estabelecem.
A organização desse ambiente deve ser harmoniosa, colorida, com móveis e objetos que convidem as crianças à brincadeira e interagirem entre si e com o adulto.
Froebel e Montessori foram os primeiros a pensarem na importância da organização do espaço para crianças pequenas, propondo integrar liberdade e harmonia com a natureza.
A disposição do mobiliário deve possibilitar à criança visualizar o adulto, mas não deixá-la dependente para todas as atividades.
O espaço nunca é neutro.
Espaço escolar não se restringe apenas a sala de aula. Ela prolonga-se externamente, devendo ser explorado numa perspectiva pedagógica.
Deve ser planejado para facilitar encontros e interações, garantindo a segurança, o acolhimento e o bem-estar de todos.
Segundo Horn (2004), o espaço é algo socialmente construído, refletindo normas sociais e representações culturais que não o tornam neutro e, como conseqüência, retrata hábitos e rituais que contam experiências vividas.
A leitura do espaço escolar, paredes e organização do espaço, das salas de aula e da instituição como um todo, nos revela a concepção de criança e de educação que o educador e o grupo possuem.
A organização do espaço, das parede, escolha das cores utilizadas, devem ser definidos pelo professor e seus alunos, fundamentado nas preferências e desejos das crianças, considerando as experiências fora do âmbito escolar, nos projetos a serem trabalhados, entre outros fatores.
Segundo Zabalza (1987), o modo como administramos o espaço constitui uma mensagem curricular e reflete nosso modelo educativo.
A mudança do espaço modifica a ação pedagógica ou é o inverso?
A organização do espaço deve prever atividades diferenciadas em cenários adequados e também diferenciados.
Que características então,
estes espaços e ambientes deverão ter para dar conta disso?