ardmusica: Esteve oito vezes em Portugal, sendo que a solo é a quarta vez…
ALEXANDRE PIRES: Gosto muito de vir a Portugal, o público é muito bacana e participa bastante. A mistura de português com brasileiro e africano eu gosto, é bom de mais.
Meus pais são músicos e a minha família é cheia de músicos, logo não tinha muito que fazer se não ser músico, porque vivíamos música em casa 24 horas por dia. A minha mãe é cantora e o meu pai baterista.
Foi em 1990 que formámos o grupo e em 1993 gravámos o primeiro LP, editado pela BMG. No total foram oito discos gravados com a banda Só Para Contrariar. Foi uma carreira que nunca imaginámos que desse em tudo isso, pois só queríamos tocar. Foi um trabalho muito intenso, viajando pelo Brasil todo e de repente e tivemos oportunidade de lançar discos fora do país também. Foi uma ascensão que nunca imaginamos, mas abraçamos tudo com muito carinho e procuramos o melhor para a carreira do grupo.
Hardmusica: A Portugal chegam muitos cantores baianos, paulistas e cariocas. Será mito o facto de esses povos serem mais ligados à música do que os restantes ou é mito?
ALEXANDRE PIRES: Não creio que seja mito, mas a visibilidade dos cantores de S. Paulo, do Rio e da Baía também roda em torno de um marketing muito forte até pelos valores musicais que têm nessas localidades. Eles têm grandes artistas maravilhosos. Minas Gerais também tem grandes artistas, como por exemplo Milton Nascimento, João Bosco, o rei do futebol Pelé. Mas no início não foi muito fácil, pois um grupo de samba de Minas Gerais era visto de uma forma um pouco estranha. Fomos mesmo confundidos com cariocas, tendo sido anunciados como a banda carioca Só Para Contrariar. Mas fomos recebidos por todos os povos muito bem.
Hardmusica: O que teve de bom nos Só Para Contrariar (SPC) e agora na carreira a solo?
ALEXANDRE PIRES: Os SPC tiveram uma carreira quase perfeita. Foram anos de muitas surpresas, alegrias e conquistas que não imaginávamos.
Na carreira a solo foi um recomeço e fazer entender aquele público que me acompanhava em grupo da minha carreira a solo, não foi fácil. Isso custou tempo, bastante tranquilidade, determinação e a consciência que era um recomeço.
Isso são os pontos principais de uma carreira a solo, principalmente quando se faz parte de um grupo de grande sucesso como foram os SPC. Com o tempo as pessoas foram entendendo, ouvindo a proposta que eu queria passar. O trabalho internacional também me deu oportunidade de conhecer outras culturas musicais e ao mesmo tempo aprender um pouco mais e me fortalecer como artista a solo.
De há cinco anos para cá tenho trabalhado muito intensivamente, pois tenho-me dedicado muito mais ao trabalho internacional. Isso também me deu oportunidade de aprender a conviver sozinho, uma vez que estive muito tempo acompanhado pelo grupo. A banda que me acompanha nos concertos também são muito bons, muito profissionais, dando-me muito apoio.
Hardmusica: Dos artistas internacionais com quem já partilhou o palco, qual o que o marcou mais e porquê?
ALEXANDRE PIRES: Alcione que é uma cantora por quem tenho um grande respeito e grande admiração e Glória Stefan, porque foi um momento muito forte e muito intenso para os SPC, foi uma artista que nos deu um impulso muito grande para o trabalho internacional.
Hardmusica: Quais os artistas/ídolos brasileiros que tem?
ALEXANDRE PIRES: Como interpretes a Alcione, Emilio Santiago, Elis Regina, Milton de Holanda (com quem já tive oportunidade de partilhar um show), Gilberto Gil e Djavan.
Hardmusica: E internacionais?
ALEXANDRE PIRES: Como internacionais gosto muito de Leandro Sanz, Francisco Setimic, a voz melosa de Luis Miguel, adoro Steve Wonder que é um deus da voz e da musicalidade, sendo um mito que temos vivo, houve um que já foi, Michael Jackson, em que a música, o show biz, a perfomence ficou muito pobre. O Steve Wonder tem de ser eterno, pois no dia em que ele for embora a música vai ficar muito pobre.
Hardmusica: O que é que conhece da música portuguesa?
ALEXANDRE PIRES: Não conheço, praticamente, nada. Oiço algumas coisas, mas não consigo identificar o cantor. Neste minha vinda a Portugal, como venho por uma semana vou poder ouvir alguns discos e ficar a conhecer a música portuguesa que é muito particular. Para além do fado tem a pop portuguesa que eu gostaria de conhecer. Acho interessantíssimo o sentimento que tem a música portuguesa, o jeito de se cantar e de se tocar. Quero estar mais informado e quem sabe fazer um intercâmbio com um músico português, para mim seria uma honra e um prazer.
Hardmusica: Que podemos esperar dos concertos do Porto e de Lisboa?
ALEXANDRE PIRES: O melhor de mim. Estou aqui com a minha banda para fazer um grande concerto e retribuir todo o carinho que o público português tem pelo meu trabalho. Os brasileiros que aqui estão sabem o que é deixar o seu país e tentar a vida noutro país e eu venho trazer-lhes um pouco do nosso país. O que oiço é que são muito bem tratados aqui por todos os portugueses. O público africano que me acompanha, de Cabo Verde, Moçambique, Angola, vai estar no concerto. O concerto que se chama “Mais além em tournée” passa em revista todo o meu percurso, desde os SPC até aos dias de hoje. Podem esperar muita energia e muita dança.
Hardmusica: Dado às novas tecnologias permitindo aos fãs que o acompanhem em todo o lado onde estiverem. Tem um blog onde coloca vídeos e o twitter que vai dando informações mais reduzidas…
ALEXANDRE PIRES: Isso faz com que me aproxime mais dos meus fãs, então é muito interessante comunicar com pessoas do meu país de vários estados e do mundo todo de uma maneira muito rápida e instantânea. Estou sempre em contacto, estou sempre passando as noticias de tudo o que esta acontecendo. Nos vídeos que coloco no blog permito ao público que veja aquilo que ele gosta de saber, o que estou fazendo quando não estou em palco.
E aqui estamos filmando e fotografando tudo. Com isto pretendemos fazer um documentário para passar no Brasil mostrando como foi a nossa vinda a Portugal.