Olá. Sabe quem eu sou? Imaginei que não saberia. Não foi muito difícil de te achar... Você é sempre tão previsível, sabe?(cruza as pernas e acende um cigarro, um trago longo... Solta a fumaça pelo ar).
Passei muito tempo procurando por você, criança.(abre uma pasta vermelha, folheia o conteúdo, algumas folhas caem no chão) Está vendo? (aponta para seu nome na capa da pasta) Sei tudo que qualquer psicopata poderia querer. Na verdade, só não te achei antes porque eu não quis. Você parece não se importar se alguém está te seguindo; e eu te segui por muito tempo. Ah... Fui ao seu trabalho, vi os bares que você freqüenta, as drogas que você consome, vi as frustrações que sofreu nas noites regadas a vinho barato e pessoas mesquinhas... É...Digamos que eu tenha visto faces suas que ninguém mais veria, pois ninguém mais olha pra você. Não do jeito que eu olho. Eu me importei com você. Pena que você nunca percebeu meus passos logo atrás dos seus. Não, não se assuste. Não sou um monstro. Não esse tipo de monstro que você está imaginando.
Na verdade, não me chamaria de monstro, sabe? (amassa o cigarro contra o cinzeiro no centro da mesa logo à frente).
Bem, estamos quase terminando. Vou me sentir muito melhor depois de fazer isso. É um fardo a menos pra mim. (coloca sobre a mesa o revólver e duas balas douradas. Sorriso sarcástico). Uma para mim, e outra para você. Não se preocupe, irei logo depois. Jamais te abandonaria nesse momento solene, criança.
Ok, vamos lá. (levanta-se, acende outro cigarro e pega o revólver). Últimas palavras? O quê? Desculpe, não consigo te ouvir... Bem, não tem problema... Você não deve ter muito a dizer mesmo... (coloca a arma na sua têmpora, você sente o aço do cano pressioná-la,sente o pulsar das veias). Não tenha medo, criança (sussurra ao seu ouvido). A propósito, esqueci de te contar: Você já morreu há muito tempo. Só estou terminando o que começaram. Mundo injusto, não? Mas não se preocupe isso vai acabar logo... Não vai doer nada... (puxa o gatilho. A arma dispara, o projétil entra pela sua têmpora e destroça todos os neurônios que encontra pelo caminho.)
E sim, querido cadáver, eu menti... Dói. Dói muito.Pode seguir seu caminho sozinho, porque eu não vou com você...