Tens das pedras dureza; tens, agora,
Da noite que apavora, vã frieza.
A incerteza que tens, é de quem chora
Quando o amor vai embora; tens tristeza.
Tens, porém, chama acesa; vida aflora
Do teu peito, ó senhora; és natureza -
Da fauna, tens riqueza e quem te adora,
E da flora, bem mais, pois, tem beleza.
Só pareces não ter o dom vibrante,
O desejo constante de viver,
A grandeza de ser a cada instante,
Quando o mais importante é renascer.
Esse dom de manter a dor distante,
Em plantas e animais, vais perceber.
Bernardo Trancoso