No cinema alemão o expressionismo encontrou sua tradução para as massas. Os filmes O gabinete do Dr. Caligari (1920) e Nosferatu, (1922) inspirado no livro Drácula (1897- Bram Stoker) , Metrópolis (1927) e Drácula (1932, com Bela Lugosi no papel principal) são símbolos do expressionismo.
Ainda no cinema, na década de 40 surgiu o Cinema Noir.
Baseado em Literatura policial, Cinema Noir é tem como principais características detetives astutos, policiais inflexíveis, damas sensuais e vilões perversos, envolvidos em investigações e tramas conspiratórias.
Outro elemento importante do Cinema Noir é a ambientação das tramas, que ocorre geralmente nas metrópoles americanas, envolvidas em uma atmosfera de sombras e mistério. Como nos filmes expressionistas, a fotografia em preto e branco ressalta este clima soturno.
A expressão Nouvelle Vague, criada pela escritora Françoise Giroud, surge na revista francesa L''Express em 1958, inicialmente, para designar um fenômeno contestatório dos movimentos artísticos. Porém, esta expressão viria fixar-se para definir o movimento cinematográfico francês que surge nesta mesma época.
Influenciada pelo neo-realismo italiano e por diretores norte-
americanos como Alfred Hitchcock, John Ford e Howard Hawks, a
Nouvelle Vague recria a linguagem cinematográfica e aborda
essencialmente questões existencialistas, praticamente abandonando temas corriqueiros como política e sociedade. Ainda, traz como uma de suas propostas técnicas a reação aos aspectos convencionais do cinema, principalmente, a narrativa.
Nesse contexto, enquadram-se também obras de baixo orçamento com equipes reduzidas e filmagens em locais públicos.
Essas características influenciaram toda a cinematografia mundial,
inclusive o cinema novo brasileiro. Jean-Luc Godard e François Truffaut são as maiores referências da Nouvelle Vague francesa. Algumas das principais obras da fase inicial da Nouvelle Vague são Acossado (de Godard), Os Incompreendidos e Jules et Jim , (François Truffaut), Hiroshima, Mon Amour (Resnais - 1959), Paris Nos Pertence (J. Rivette -1960) e Trinta Anos Esta Noite (Louis Malle – 1963).
O sueco Ingmar Bergman também teve papel significativo. Entre seus filmes, destacam-se O Sétimo Selo (1956), onde um homem aposta sua vida jogando xadrez com a morte; Morangos Selvagens (1957), Persona (1966), Gritos e Sussurros (1972), e O Ovo da Serpente (1976), entre outros de intensa densidade dramática.
• Impressionismo, cabarés e Surrealismo
O movimento impressionista, que buscava uma precisão maior nas cores e suas combinações, teve Renoir e Monet como suas principais referências na pintura. A música impressionista passa a descrever imagens e algumas obras trazem títulos como Reflexos na Água (Claude Debussy – França 1862 - 1918) baseada em estruturas modais do Oriente e do período medieval.
Em 1916, na cidade suíça de Zurique, surge o movimento vanguardista denominado Dadaísmo, que é compreendido por alguns como uma resposta das artes à 1ª Guerra Mundial. Caracterizado pela oposição a todo tipo de coerência e equilíbrio artístico, o dadaísmo abandonou os rigores acadêmicos e destacou a liberdade criativa através da arte abstrata. Seu slogan era a destruição também é criação.
Até mesmo a palavra dada foi escolhida ao acaso para batizar o
movimento. Hugo Ball e Tristan Tzara, dois dos fundadores do
dadaísmo, escolheram, aleatoriamente, uma palavra num dicionário
alemão-francês. Dada, que em francês significa Cavalo de Pau numa linguagem infantil (pré-lógica) era um termo suficientemente vago e desconexo; ou seja, o ideal para representar o “espírito dadaísta”.
O dadaísmo desenvolveu-se principalmente na literatura e artes
plásticas até aproximadamente 1921. Mas suas bases foram essenciais no modernismo. Principalmente para o Surrealismo, que é derivado direto do dadaísmo.
Em 1924, a publicação de Manifesto do Surrealismo, de André Breton (inspirado pelos conceitos psicanalíticos de expressão do
Inconsciente), marcou oficialmente o surgimento do movimento. No surrealismo, a criação artística manifesta-se livremente de modo a criar uma realidade subjetiva. Temas como a fantasia, tristeza e melancolia também são abordadas no surrealismo.
Cinema
Na década de 20 o Surrealismo desenvolve-se também no Cinema. Um cão Andaluz (1928) do espanhol Luis Buñuel escrito em parceria com Salvador Dali é considerado um manifesto do cinema surreal. Dois anos mais tarde, Buñuel produz A Idade do Ouro, outra referência do movimento. O Anjo Exterminador, A Bela da Tarde, O Discreto Charme da Burguesia e o Obscuro Objeto do Desejo, também são obras significativas de Bruñel. Em 1932, o francês Jean Cocteau produz Sangue de um poeta.
No cinema surrealista não há preocupações com enredos. Apenas as imagens expressam desejos irracionais através de metáforas visuais.
Além do desprezo pela burguesia, convenções morais, religiosas e
políticas.
Cabaret Culture
Oficialmente, a “Cabaret Culture” compreende o entre-guerras (1918- 1939). Mas antes os Cabarés já reuniam vanguardistas que filosofam sobre política e inovadoras tendências artísticas. A “cultura de cabaré” instaura movimentos que se denominam “underground”, “alternativo” ou “contra-cultura” pelos pensadores, enquanto o fascismo de Benito Mussolini e Stalin e o nazi-fascismo de Hitler impunham a tirania sobre a Europa.
Beatnick e suas composições
Aproximadamente a partir de 1950 surge a geração Beatnick,
caracterizada por resgatar elementos dos primeiros anos do século XX no período da “Geração Perdida” dos anos que intercalaram as duas grandes guerras. O existencialismo de Jean-Paul Sartre e Martin Heidegger, enfatizando o indivíduo e a singularidade de suas experiências, é uma das bases “filosóficas” da geração Beatnick. Mas o situacionismo, movimento artístico e sócio-cultural, que surgiu na Itália na segunda metade da década de 50 e estendeu-se fortemente até início dos anos 70, promovendo e incentivando uma revolução de conceitos nas artes, tendo até mesmo uma presença marcante no movimento parisiense Maio de 68, também teve participação na formação da cultura Beatnick.
Mas, os Beatnicks também buscavam uma espiritualidade
transcendental e “não religiosa”. Roupas escuras, boina preta e óculos escuros compõem a indumentária dos Beats que se interessam pelas culturas africana, ameríndia e oriental, reunindo-se em “clubs” à meia-luz e ambientes que remontam ao decadentismo e a cultura de cabaré parisiense, mas movidos
inicialmente ao som de um bom Jazz norte-americano.
Dentro do beatnick americano surgiu Jack Kerouac, autor de on the Road (1957), livro emblemático dos beats americanos. Kerouac também teria sido quem cunhou a expressão Beatnick, que John Clellon Holmes consagraria no artigo This is the Beat Generation, de 1952. Allen Ginsberg é autor do poema The Howl (1956), obra considerada um dos marcos dessa cultura. Ginsberg também participaria das letras e shows do The Clash no início dos anos 80, além de participações com Paul McCartney e Elvin Jones, entre muitos outros. William S. Burroughs foi um dos beats mais atuantes com suas obras Naked Lunch e Junkie e influenciou as composições de David Bowie na década de 70.
O Jazz era o estilo mais consumido entre os beats, mas na década de 60 o Rock também é adotado como uma referência do movimento.
Originalmente, a poesia beat era recitada com o apoio de músicos
vanguardistas como os jazzistas, e posteriormente, com o Rock. Não apenas literariamente, mas também “filosoficamente”, Rimbaud e Baudelaire eram grandes referências culturais para os beats (como no caso do poeta William Burroughs). A banda inglesa Manfred Mann popularizou o visual do movimento que, no decorrer dos anos, iria transformar-se num estereótipo consumível pelas massas.
“Eram instintivamente individualistas, mas nunca conseguiram manter o mundo fora dos seus sonhos”. Esta frase do artigo This is the Beat Generation sintetiza o movimento Beatnick, que foi um dos mais influentes da história recente e, de certa forma, antecessor dos hippies que surgiriam anos depois, influenciando também vários movimentos posteriores e, conseqüentemente, a sub-cultura gótica/darkwave.
Hippie, Glam e Punk – Intersecções até a Sub-cultura Gótica
A origem do termo Hippie está associada ao escritor Norman Mailer que definiu o existencialismo dos beats americanos como “Hipster”, em 1957. Fatores políticos, econômicos e sociais fizeram dos hippies um grupo de estética multicolorida e comportamento politizado. Os estereótipos e a “filosofia” dos Beatnicks e dos Hippies são um tanto distintas. Mas há uma linha que une esses dois grupos. Naturalmente, a geração Beatnick adotou outras influências no decorrer dos anos, e em 1967 a cultura Beatnick dos Estados Unidos se diluiu em Hippie, Glam-
Punk e Punk-Beat, sendo que estas duas últimas são em grande parte o mesmo movimento.
Enquanto isso, o escritor canadense Leonard Cohen abandona sua vida literária e aventura-se na música. Seu álbum de estréia, Songs of Leonard Cohen, influenciaria artistas como The Sisters of Mercy e Nick Cave.
Paralelamente na Alemanha, em meados da década de 60, surgia do
experimentalismo um estilo conhecido como Krautrock, baseado numa combinação psicodélica com improvisação do Jazz e sintetizadores que produziam uma sonoridade eletrônica, de classificação musical complexa, mas que expôs a Alemanha no cenário Pop/Rock europeu.
Mais tarde, o Krautrock foi uma das principais influências das
tendências da música eletrônica, como o Sith - Pop e EBM.
No início da década de 70, o Punk nova-iorquino, do Club CBGB,
cultivava características comuns aos beats. Numa visita à cidade,
Malcolm McLaren, dono de uma Sex Shop em Londres, resolveu levar a “ideologia” Punk para a Inglaterra e reuniu um grupo de adolescentes, freqüentadores de sua loja, criando o Sex Pistols. O “punk britânico”, que emergiu para sociedade e a mídia entre 1976 e 1977, concebido por Malcom, era intencionalmente exagerado se comparado ao original, de Richard Hell e sua Blank Generation.
Ainda em 1970, surge o Glam-Rock e o Glam-Punk que influenciariam o Gótico do final desta década. Em Nova Yorque, a banda The New York Dolls é a referência. Na Inglaterra, Marc Bolan, T-Rex e David Bowie tornam-se ícones desta tendência. Em 1974, David Bowie lança o álbum conceitual Diamond Dogs, que aborda o romance 1984 de George Orwell. Diamond Dogs foi definido pelo próprio Bowie como Gothic, em alusão a um espírito dramático e barroco do século XX. Bowie ainda
produziu álbuns solos de Iggy Pop, ex – The Stooges, que influenciariam os vocais de Peter Murphy. Em 1977 a banda Nova-Iorquina Suicide, lança seu primeiro album que mistura musica eletrônica e punk obscuro.
Enquanto isso o Rock passa da fase “adolescente” e as bandas The
Doors e The Velvet Underground surgem na cena em 1967. O prédio, conhecido com Factory, alugado pelo pintor Andy Warhol abriga vanguardistas de várias expressões e torna-se uma referência cultural e o principal reduto de criação do Velvet Underground. O vocalista e guitarrista da banda, Lou Reed, foi fortemente influenciado pelo amigo e “guru pessoal”, Delmore Schwartz, escritor americano, chegando a dedicar várias músicas ao autor.
Quando Lou une-se ao músico erudito John Cale, sua pretensão é
compor letras no estilo da Literatura Beatnick associada ao
instrumental de Rock experimental. Patty Smith também traz referências semelhantes a partir de seu disco de estréia, Horses (1975). Enquanto isso, Jim Morrison, também influenciado pela prosa beat e William Blake, traça ao lado de Ray Manzareck uma trilha semelhante às intenções da dupla Lou Reed e John Cale. O experimentalismo musical e a forte presença da cultura beat são determinantes na sub-cultura glam/punk/krautrock que foi influência direta gótica/darkwave que se formaria a seguir.