O livro de Hodkinson aborda tanto a estrutura sub-cultural em uma análise profunda como também descreve as características desta Sub-Cultura Gótica Inglesa que pesquisou. Neste texto trancrevemos alguns trechos que abordam apenas o tema da estrutura Sub-Cultural da Cena Gótica. A parte de características abordaremos em outra oportunidade.
Estrutura da Sub-Cultura Gótica- trechos- de Paul Hodiknson
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Estrutura da Sub-Cultura Gótica- trechos- de Paul Hodkinson
[tradução livre de Kipper]
Traduzimos aqui alguns trechos de um estudo feito sobre a Sub-Cultura Gótica na cena Inglesa no final da decada de 90 e publicada como o livro: “GÓTICO: IDENTIDADE, ESTILO E SUBCULTURA - Paul Hodkinson, 2002”
O livro de Hodkinson aborda tanto a estrutura sub-cultural em uma análise profunda como também descreve as características desta Sub-Cultura Gótica Inglesa que pesquisou. Neste texto trancrevemos alguns trechos que abordam apenas o tema da estrutura Sub-Cultural da Cena Gótica. A parte de características abordaremos em outra oportunidade.
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TRECHOS:
página 19:
“Da mesma forma que as teorias sobre a Cultura de Massa, a abordagem pós-moderna tende a se basear pesadamente sobre pressuposições teóricas e análise textual selecionada. E essa não é a única similaridade entre as duas teorias” ( NT: pós-modernas e “neo-Adornianas”). “Embora uma delas lamente as forças manipulativas dos grandes negócios e a outra pareça mais inclinada a celebrar a infinita escolha dos fluidos consumidores pós-modernos, ambas descrevem a des-diferenciação da Sociedade como um resultado da saturação pela mídia e pelo coméricio.
Enquanto Peet e Schiller teorizam sobre a homogenização da cultura através do marketing de massa de produtos padronizados, Baudrillard and Jamenson vêem o apagamento das fronteiras como como o resultado da desconexão de um número cada vez maior de formas culturais de quaisquer significados substantivos. A “similaridade das diferenças” pós-moderna a que Muggleton se refere (1997: 192 ), e a homogênea cultura de consumo-de-massa descrita por teoristas do imperialismo cultural, não são tão opostas como pode parecer a primeira vista. Mais importante, para o ponto de vista deste livro, ambas as teorias consideram a saturação midiática e comercial como incompatíveis com agrupamentos sub-culturais diferenciados ou com substância e, consequentemente, elas são capazes de ou excluir ou de representar de forma distorcida a relativa estabilidade e consistência de agrupamentos como a cena gótica.”
A Translocalidade da Sub-Cultura Gótica:
página 28:
(...) “este livro fará de tudo para enfatizar a forma translocal que a cena gótica tomou e, por inferência, de agrupamentos semelhantes. "Góticos separados geograficamente compartilham tanto um senso translocal de identidade quanto um relativamente consistente e diferenciado conjunto de gostos e valores.”
Ficará claro também que essas duas características “abstratas” foram viabilizadas concretas conexões translocais na forma de mídia, comércio e viagens (Kruse,1993). Crucialmente, então, o argumento não é que certos elementos de estilos como o gótico tenham se espalhado por por uma variedade de países, regiões e cidades sem conexão- embora pudesse muito bem, ser assim. Pelo contrário, a sugestão é que a existência translocal e, potencialmente, transnacional, destes estilos de vida, sejam totalidades interconectadas.
Embora fosse necessária uma pesquisa em maior profundidade para inferir os níveis de similaridades e conexões de país para país, é claro que a cena gótica Inglesa tomou a forma de um amálgama translocal unificado com estilo, identidade, valores e práticas característicos, completo e associado a uma
infraestrutura. Contráriamente a ênfase pós-modernista na fluidez da cultura de consumo, assim, a intenção aqui é teorizar e ilustrar uma noção de agrupamentos culturais translocais com substância.”
(continua .. ) pag. 29
“QUATRO INDICADORES DE SUBSTÂNCIA (SUB)CULTURAL” :
(...) “Importante: conceptualizar substância (NT:consistência ) cultural desta forma não aponta para um retorno as fomas tradicionais de teorização da Sub-Cultura(...). O estilo encapsula importantes elementos de diversidade e dinamismo, suas fronteiras não são absolutas, e os níveis de comprometimento variam de um indivíduo para outro.
Além disso, mais do que se basear inteiramente na gravitação automática de seus participantes, as contruções iniciais e sua subsequente sobrevivência se baseou em redes de informação e organização internas e externas, frequentemente na forma de mídia e comércio. Mas, apesar de sobreposições e complexidades, a tentação inicial de descrever os góticos usando termos como neo-tribo ou estilo-de-vida foram gradualmente acrescidos da compreenssão que tal opção teria exagerado a diversidade e instabilidade dos seus agrupamentos.
Crucialmente, fluidicidade e substância não são questões em oposição binária mas, isto sim, de grau. Neste caso particular, a observação de que a cena gótica envolvia elementos de movimento ( NT: no sentido de mudança ), sobreposição e alteração de forma alguma ofusca os incríveis níveis de comprometimento, identidade, diferenciação e autonomia que eram evidentes.
Mais do que tentar capturar estes elementos de substância cultural usando algum outro termo novo, eu optei por fazê-lo pela via do desenvolvimento do que considero uma concepção mais relevante, útil e atualizada de sub-cultura. Esse termo é mais familiar e a revisão busca, principalmente, remover elementos de teorias às quais ele tem sido associado e, também, mais do que redefini-lo substancialmente, busca clarificar um número conotações extras. (...)”
“Este tema” (NT: sub-cultura) “foi dividido em quatro critérios indicativos: identidade, compromisso, diferenciação consistente e autonomia.(...) cada um deles deve ser considerado como um aspecto contribuinte que, tomado de forma cumulativa com os demais, aumenta a propriedade do termo sub-cultura, (...) ao mesmo tempo reconhecendo a grande relevância de outras terminologias- como talvez a noção de neo-tribo de Maffesoli- para descrever formas de afiliação mais superficiais e passageiras. A seguir, uma introdução de cada indicador(...).”
pag 30:
“Diferenciação Consistente: (...) aceitando a inevitabilidade de um certo grau de de diferença interna e mudança ao longo do tempo, logo, o primeiro indicador de substância subcultural compreende a existência de um conjunto de de gostos e valores compartilhados, que é diferenciado daqueles de outros grupos, e que é consideravelmente consistente, de um participante para o outro, de um lugar para o outro e de um ano para o seguinte.
Apesar da diversidade interna (...) a cena gótica estava caracterizada por um conjunto relativamente claro de ideais e gostos. Até nas suas manifestações menos espetaculares o estilo visual dos góticos permitia que se reconhecesse uns aos outros com facilidade. ( ... )”
“Identidade:(...) um claro e sustentado senso de identidade grupal, por si só, começa a estabelecer um agrupamento como substantivo em vez de efêmero. No caso da cena Gótica, enquanto a importância precisa da identidade sub-cultural relativa a outros aspectos se diferenciavam entre eles, podemos observar que um senso de semelhança de pensamento ( NT: “like-mindedness” ) com outros góticos- sem importar sua localização geográfica- era frequentemente considerado pelos participantes como a mais importante parte de sua identidade.”
“Comprometimento: (...) sub-culturas são capazes de influenciar na prática e de forma extensiva a vida cotidiana de seus participantes, e que, muito frequentemente, esse envolvimento concentrado dura anos e não apenas meses. Dependendo da natureza do grupo em questão, sub-culturas são capazes de tomar uma considerável proporção do tempo livre, companheiros de amizade, rotas de compra, coleções de objetos de valor, programas e mesmo uso de internet. (...) mesmo aqueles góticos que foram relutantes em se definir explicitamente como membros, frequentemente tinham, na prática, seu estilo de vida dominado pela sub-cultura.(...) Uma tendência entre os participantes de envolvimento contínuo e prático, assim, pode diferenciar as sub-culturas das formas de afiliação mais parciais e superficiais, nas quais os participantes se dividem mais igualmente entre uma variedade de grupos.”
“Autonomia:(...) eu tenho consistentemente levantado dúvidas sobre as várias perpectivas que assumem que a mídia e o comércio atuam como catalisadores para o colapso de agrupamentos substantivos. Em contraste, minha noção retrabalhada de sub-cultura considera ambos ( NT: mídia e comércio ) elementos cruciais das sociedades ocidentais contemporâneas como essenciais para a construção e facilitação de sub-culturas. Logo, por detrás das identidades, práticas e valores da cena gótica, jaz uma complexa infraestrutura de eventos, bens de consumo e comunicação, todos completamente implicados em mídia e comércio.
(...) precisamos diferenciar entre diferentes níveis e escalas de mídia e comércio e, consequentemente, diferentes tipos de agrupamentos.(...) Devemos reconhecer que o envolvimento de um agrupamento com certas atividades lucrativas de forma alguma retira o significado de quaisquer atividades voluntárias que
também contribuem para sua sobrevivência e desenvolvimento. (...)
Notavelmente uma boa proporção das atividades produtivas e organizacionais(...) são realizadas por entusiastas. Além disso, em muitos casos, as atividades lucrativas seguem paralelamente a extensivas atividades semi-comerciais e voluntárias, indicando um alto nível(...) de participação na produção cultural. (...) nosso interesse específico aqui é distinguir entre formas internas ou sub-culturais de comério e mídia - que operam quase exclusivamente dentro das redes dos agrupamentos específicos- e os produtos e serviços externos e não-sub-culturais, produzidos por interesses comerciais de larga escala interessados em uma base de consumidores mais ampla. Essas categorias são obviamente imperfeitas: sempre existirá uma àrea cinza entre elas e uma diversidade dentro de cada uma delas.
Todavia, a distinção entre elas permite avaliar em que extensão cada agrupamento atua autônomamente ( NT: em relação ao mercado de massas ), e em que grau eles são facilitados e contruídos de dentro.(...) ...mídia, produtos e eventos especializados tem um papel usualmente significativo na geração do agrupamento”
“Shopping Sub-Cultural” :
(...) pag 137 : (...)
... a prática de compras e consumo indica elos significantes entre a cena gótica e o mundo comercial fora dela. Todavia, o consumo seletivo de fontes não-sub-culturais não é inconsistente com a conceituação da cena gótica como uma sub-cultura.
Primeiro, uma sub-cultura- no sentido usado neste livro- indica um agrupamento relativamente independente dentro de uma de uma sociedade diferente.
Consequentemente não é necessário um isolamento ou oposição a nenhuma “cultura dominante” unificada nem, sem dúvida, do ou ao sistema capitalista que permeia todos os elementos das sociedades Ocidentais. Segundo, o fato de que um grau significantes deste consumo a partir de fontes externas envolvia uma seleção, seja “inovativa” ou não, de ítens relativamente consistentes com conjunto de gostos sub-culturais pré-estabelecidos, apenas re-enfatiza o comprometimento dos participantes com o estilo diferenciado da cena Gótica. Finalmente, o papel da apropriação criativa, criatividade independente e ocasional transgressão na construção do estilo enfatiza o importante papel dos próprios participantes no contínuo desenvolvimento de seu estilo compartilhado.”
pag 196:
(...) “Pensamentos Finais”(...)
“Através de uma redefinição do conceito de sub-cultura, baseada em indicadores de relativa diferenciação, identidade, comprometimento e autonomia, este livro procura prover meios para a conceptualização da cena gótica - e outros agrupamentos que escolhermos- caracterizados mais por sua substância do que pela sua fluidez. Fazendo isso, evitamos a super-generalização de superficialidade,
ausência de significado e colapso de agrupamentos substantivos que, de maneiras diferentes, caracteriza tanto as teorias da cultura de massa quanto as pós-modernistas e, as vezes, até as de coletividade fluida.
Ao mesmo tempo, evitamos a tendência de considerar práticas, identidade e comunidades culturais cara-a-cara e localizadas como o único exemplo possível de agrupamentos culturais substantivos em pequena escala em um mundo, em oposição, mediaticamente saturado. Mais do que propor uma nova teoria sub-cultural como uma igualmente radical forma alternativa de conceituar a sociedade a intenção foi de clarificar e, consequentemente, estabelecer limites sobre o uso do termo, sem ser super-prescritivo. A sugestão é que a terminologia alternativa, especialmente a noção de neo-tribalismo, poderia também ser clarificada e limitada, para descrever e entender aqueles estilos contemporâneos e afiliações as quais, em contraste com as sub-culturas, são fundamentalmente efêmeros e parciais”.
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