No ritmo compassado a luz amarela do farol oscila na noite. Paro o carro no limite. Na faixa branca que marca o limite. Na noite a luz amarela se reflete em tudo; à sua frente. Uma faixa branca. Uma faixa amarela. Uma faixa branca... Nada nas vias laterais escuras. Nada a frente. Nada que se possa ver. A não ser o caminho que se quer traçar. Cruzamentos. Caminhos que se conhecesse, talvez o intermitente amarelo já estivesse para trás. Penso que já me dei por esses caminhos. Se conhecesse, talvez o intermitente amarelo já estivesse para trás. Cego. As luzes, de uma só cor me cegam. Ou será o vidro já embaçado pela ofegância. Painel amarelo. Uma faixa branca. Meu olhar amarelo... Lá de fora as coisas são mais fáceis. Um idiota parado dentro de um carro. Um idiota parado no farol amarelo. Lá fora não se tem os pedais aos pés. Direito acelera. Esquerdo-meio freia. Pára. Amarelo. Atenção. Estômago comprimido. Fecho os olhos. Fundo.
Acelero.