...
Precisamos lutar contra estes planos de metas meritocráticos que se alastram por todo Brasil, tentando transformar a Educação em negócio. Aluno não é cliente, escola não é empresa, professor não é operário, diretor não é patrão e secretário de Educação (que no RJ é um economista que não entende bulhufas de Educação) não é empresário. Neste exato momento o RJ trava uma luta com professores em greve há 2 meses exatamente contra esta mercantilização da Educação com vistas a futuras privatizações do ensino público. A meritocracia não deu certo nos EUA. A privatização do ensino não funcionou no Chile, que agora brada nas ruas pelo retorno de um ensino público de qualidade. Querem que preparemos nossos alunos para o subemprego em balcões de lojas, em redes escravizantes/assalariadas de fast foods, em fábricas poluidoras do meio ambiente, com tarefas repetitivas e alienantes para atender 'às metas' projetadas pelas empresas para o mês, ou para o ano, ou para a década. O filósofo e linguista Noam Chomsky salienta os dois tipos básicos de educação aplicados no mundo neo-liberal: Educação que domestica os ricos para serem os patrões e a Educação que domestica os pobres para serem os empregados. Ora, Educação não deve domesticar ninguém. Educação é libertar das amarras, é justamente tirar os cabrestos e antolhos, desvelar, dar chance ao desenvolvimento da consciência crítica.
O psicólogo R.D.Laing, um dos precursores no tratamento da esquizofrenia, entende que o doente (esquizofrênico) é geralmente o resultado da doença da sua família: 'a esponja', o depósito das frustrações e ansiedades alheias, enfim, a pessoa mais sensível que manifestou ou trouxe à tona a (sua) doença. Pois bem, quando o esquizofrênico começa a obter sucesso na terapia, geralmente alguém da família, ou mesmo toda a família, costuma adoecer. Ou seja, o núcleo familiar é que estava doente e O doente era apenas a ponta do iceberg. Trazendo para uma visão macro esta questão: vivemos em um mundo esquizóide, dividido nos absurdos, em que os valores essenciais ficam em segundo plano... mais vale a aparência, a superfície, mais vale um belo par de glúteos que uma mente. Mais vale o ter que o ser. Mais vale aparecer na TV... celebridade descerebrada celebrando o que? Isso é a grande loucura que devemos combater: este ensandecido sistema que aí está. Preparemos então nossos alunos para perceber e identificar estas armadilhas através das quais pretende-se toldar seu livre-arbítrio e transformá-los em loucos com aparência de sãos. Em robôs que dizem 'sim senhor(a)' o tempo todo.
Há um tempo atrás uma aluna me perguntou se para ser capa de revista precisava estudar... fiquei sem resposta. Mudo de susto. E medo.
________________________________
* foto: colagem que fiz em 2010
* Texto: Gustavo Nordskog