Marcelo Bezerra Crivella (Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1957) é um político, cantor gospel e líder religioso brasileiro. Exerce mandato de senador da República pelo Partido Republicano Brasileiro, representando o Estado do Rio de Janeiro, eleito em 2002 com aproximadamente 3,2 milhões de votos . Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Crivella é sobrinho de Edir Macedo, fundador da denominação neopentecostal Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Disputou a quarta eleição direta em 2008, pelo cargo de prefeito da capital fluminense, porém ficou em 3º lugar no 1º Turno.
Casado, formado em Engenharia Civil pela Universidade Santa Úrsula, Crivella tornou-se conhecido pelo planejamento e execução do Projeto Nordeste, movimento beneficente que tinha a finalidade de tornar produtivas terras que estavam abandonadas pelo governo federal, na cidade baiana de Irecê. O projeto tornou viável na região o desenvolvimento agrícola e pecuário, a partir de modelos de irrigação que Crivella observou em várias viagens a Israel.
Nascido no bairro do Leblon, filho único de pais católicos, Crivella freqüentou a Igreja Metodista na juventude. Sua ligação com o tio, o bispo Edir Macedo, fez com que tentassem fracassada sociedade comercial, antes de ser convidado, em 1977, para trabalhar na recém-criada Igreja Universal. Logo tornou-se pastor e bispo, tendo trabalhado dez anos difundindo a Igreja Universal no continente africano.
Crivella é um orador prolífico, atraindo multidões em cultos realizados pela Igreja Universal. Sua pregação religiosa também é veiculada por radiodifusão.
A produção musical de Crivella, como cantor e compositor, o tornou um dos principais intérpretes do gênero gospel do Brasil, com 14 discos lançados, vendendo mais de 5 milhões de cópias; seu maior sucesso foi O Mensageiro da Solidariedade. Os álbuns foram lançados pela gravadora Line Records, da qual Crivella é o principal artista.
Crivella foi o autor dos livros Histórias de Sabedoria e Humildade, uma coleção de contos de cunho moral e religioso, e Um Sonho que se Tornou Realidade, que trata do Projeto Nordeste.
Em 2008, Crivella declarou ao TSE possuir patrimônio de R$ 78 mil.
Motivado pelo bispo Macedo, Marcelo Crivella entrou na vida pública, postulando ao cargo de Senador da República nas eleições de 2002. [8] Crivella foi eleito, como Sérgio Cabral Filho, para um mandato no período 2003-2011.
Crivella candidatou-se ainda ao governo do Estado do Rio, em 2006, e à Prefeitura da capital, em 2004 e 2008.
Em 2004 foi o segundo colocado na disputa pela prefeitura carioca, porém não conseguiu ir para o segundo turno contra César Maia. Segundo Crivella, este sofreu uma perseguição por parte do jornal O Globo, que publicou diversas matérias acusando-o de fraudes.
Em 2005, em meio à crise do Mensalão, junto com o vice-presidente da República, José Alencar, entre outros políticos, cria uma dissidência do PL, o Partido Republicano Brasileiro (PRB), partido que se denomina como centro-esquerda e que reafirma o apoio ao Governo Lula.
No ano de 2006 se candidata ao governo do estado do Rio de Janeiro, sendo apoiado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva (que também apoiou o candidato Vladimir Palmeira), e na maior parte do tempo apontado pelas pesquisas como o segundo mais votado. Na última semana antes das eleições, porém, é ultrapassado pela candidata do PPS, Denise Frossard, e acaba novamente fora do segundo turno. Durante a campanha, fez duras críticas ao candidato do PMDB Sérgio Cabral, com quem acabou firmando apoio no segundo turno, e Cabral foi eleito.
Crivella foi candidato à prefeitura do Rio de Janeiro , . Logo após ao lançamento da pré-candidatura de Fernando Gabeira, Crivella gerou polêmica em entrevista ao destacar que o deputado do PV apóia o homem-com-homem e a legalização da maconha.
Disputou a quarta eleição direta em 2008, pelo cargo de prefeito da capital fluminense, porém ficou em 3º lugar no 1º Turno.
No Senado Federal, Crivella tem como marca a atuação junto à diáspora brasileira. Ele foi presidente da Subcomissão Permanente de Proteção aos Cidadãos Brasileiros, subordinada à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, da qual Crivella foi vice-presidente. Um de seus alvos foi a detenção, por período indeterminado, de cidadãos brasileiros nos Estados Unidos, acusados de serem imigrantes ilegais.
Marcelo Crivella é reputado como um político de orientação conservadora. No entanto, o senador é um grande aliado do Presidente Lula, e seu partido faz parte da base de sustentação ao governo. Crivella apoia a legalização do aborto, porém rejeita projetos como a união civil de homossexuais, e a criminalização da homofobia. Ele esclareceu, após protestos de ativistas, que se opõe a conseqüências inadvertidas da lei contra a homofobia, mas é totalmente contra a violência a homossexuais.
Um dos fundadores do PRB, Crivella afirmou que o partido é mais próximo da esquerda que do neoliberalismo. Em discurso no Senado, Crivella saudou o PCdoB, ressaltando que o Evangelho contém ensinamentos do Comunismo.
Em 2006, Crivella manifestou seu apreço por José e Roseana Sarney.
Crivella é favorável a políticas públicas de planejamento familiar, por meio da educação sexual e esterilização, e à Lei de Biossegurança, que regulamentou as pesquisas com células-tronco.
A ligação íntima entre Marcelo Crivella e a Igreja Universal do Reino de Deus é alvo freqüente de críticas das Organizações Globo, principal concorrente da Rede Record ligada a Igreja Universal. A Igreja é acusada de fazer propaganda eleitoral pelo senador, o que é um crime eleitoral, porém nada foi comprovado. Em sua estratégia, Crivella busca a independência política em relação à Igreja, para atingir eleitores que não membros da IURD.
Marcelo Crivella está sendo investigado pelo Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado, sendo suspeito de ter enviado dinheiro ilegalmente a paraísos fiscais por meio das empresas Unimetro e Cremo, ligadas à Igreja Universal e Rede Record, as investigações não conseguiram comprovar as suspeitas. Foi investigado também em processo contra as empresas Investholding e Cableinvest, por supostos crimes contra o sistema financeiro - o caso foi arquivado por falta de provas pelo STF em 2006.
Crivella é suspeito de agir como laranja da Igreja Universal, registrando em seu nome bens de propriedade da Igreja. Ele deixou de declarar à Justiça Eleitoral e à Receita a posse de duas emissoras de televisão, retransmissoras da TV Record, que é ligada à Igreja.
Em ação da Polícia Federal de 2007, Crivella teve seu nome associado a um desembargador envolvido com venda de sentenças e com a máfia dos bingos, mais uma vez nada foi comprovado.
Em 2008, teve o nome envolvido no episódio em que militares comandados por um tenente capturaram três moradores do Morro da Providência para serem torturados e mortos por uma facção de traficantes rivais. Crivella foi o senador que patrocinou a ida do Exército ao morro, para supervisionar obras do Projeto Cimento Social, de urbanização da favela, tendo submetido o projeto à análise do presidente Lula - que o aprovou. O assassinato dos jovens gerou grande polêmica quanto à legalidade da presença das tropas no morro, o que criou um impasse. Posteriormente, a Justiça Eleitoral julgou que o Projeto Cimento Social tinha conteúdo eleitoreiro, beneficiando Crivella irregularmente, e embargou as obras. Por conseqüência, o exército retirou do morro o seu efetivo