Muitas vezes quando encurralados estamos,
e o sol parece um fatídico companheiro,
e a lua não traz o amor consolador,
e o desamparo é o cais derradeiro.
Quando nos lembramos da vontade de lutar,
mas nosso ímpeto se enfraquece.
Também lembre-se do abutre imaterial
que neste sol se aquece.
Lançamo-nos à roda de amigos,
abrindo um pouco de nós para cada.
Mas a vida se desgasta
corroborando para o nada.
Enfeitamo-nos com as penas do que resta,
uma plumagem nova como de pássaro novo.
Mas nesse alçar para os ares,
nada há de renovo.
As asas que então nos deram
é um vôo total sem alento,
pois o melhor de nós
morrera-se na calada do vento.
E juntos com os outros
buscamos aquele feeling principalmente.
e cheios de vida,
mas só há o desânimo em mente.
Então o nosso voejar
é um voejar que lembra o cemitério,
pois tudo foi-se acumulando
em grande sacrilégio.
porque vemos a vida
não como outrora a víamos.
Nada se compara ao começo
onde tudo novo sentíamos.
Voamos porém com asas de mármore
que nos leva aos territórios espirituais.
Subjugados de tempos em tempos,
essa dor dói demais.
São as asas da ignomínia
que vem para nos absorver,
principalmente na calada da noite,
afunda o nosso peito a si entreter,
E assim vemos o mundo
como em um caleidoscópio
de formas bizarras e indefinidas.
Não sabemos o que se passa ao microscópio.
E assim podemos suportar esse vôo,
até que fira os ossos dos sentimentos,
e neste ir e vir,
contente-se com os passamentos.
Nelly Nevyton