É madrugada e a Lua que ilumina a noite encheu-se de luz e pintou-se de um branco divino.
É madrugada e estou sentada na cama a escrever, sobre uma luz minima, a ouvir os carros que passam lá fora.
Às vezes imagino como seria atraente e aplausivo se, em vez de vivermos de dia, o fizessemos durante a noite. Pergunto-me inúmeras vezes se tudo seria diferente.
Mas, se por um lado a noite é das coisas mais belas que existem: o escuro; a Lua; aqueles pontinhos reluzentes que brilham no céu; a praia deserta; o silêncio; tudo, porquê invertê-la para algo dissabor, um frenetico conjunto de pessoas irritantes?
À noite, tudo permanece em silêncio, não existem pessoas, nada, apenas o leve tocar dos sinos da igreja, os grilos e os carros que, apressadamente passam por aqui, tudo dorme (ou quase tudo) e podemos apreciar o que ela tem de mais belo: a Lua Cheia, as estrelinhas cintilantes, o céu negro, eles enfeitam a noite, tornam-na especial. Hoje, posso observar com todo o cuidado as coisas mais simples, mais lindas, através da persiana do quarto.
A cada dia que passa denoto a sua beleza, dou-lhe mais valor, pois há memórias, leves memórias que ma trazem à mente, momentos absolutamente magníficos que foram testemunhados e abençoados pela noite, por cada uma das suas pequeninas estrelas cintilantes, por cada passar de um minuto.
A noite tráz-me ao pensamento breves momentos de pura simplicidade, breves e inesquecíveis momentos em que entreguei tudo à Sorte e ao Destino e ele tratou de reescrever o meu caminho a percorrer...
Fui burra ao fazê-lo, depois de dois anos de refelxão interior, apercebi-me que havia cometido o mesmo erro, já tinha acontecido antes, era-me familiar.
Procurei tudo o ue havia em mim e tudo de mim mostrei, sem qualquer demonstração de medo. Entreguei demais, dei tudo de mim e agora percebo que não o devia ter feito, talvez.
Há tanta coisa por dizer, tanto que não será dito, morrerá no silêncio da saudade, ficará enterrado no pensamento e no coração, será silenciado para sempre.
Oiço a hora passar pelos sinos da igreja, sinto cada vez mais o cansaço passar por mim, a falta, a perda e a inveja. Precisava que um coração me amasse, estou cansada de querer e não poder ter, sinto a falta de um corpo aninhado no meu, a perda de um olhar e a inveja de já não te pertencer...
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Posted by DeathLady_Morgana at 02:12 PM