“Pertencemos a um grupo não só porque nascemos nele, não apenas por confessarmos pertencer a ele e, por último, não porque lhe prestamos nossa lealdade e fidelidade, mas principalmente porque vemos o mundo e certas coisas no mundo da maneira como ele vê”.
(Mannhein, 1960. Sociólogo)
Este pequeno ensaio visa esclarecer algo sobre o goticismo e o movimento gótico moderno, a fim de desmistificar o tema ao público leigo e especialmente refletir, junto aos góticos, sobre as diferenças mais marcantes que revelam o contraste existente entre aqueles se confessam como tal.
Em termos gerais, poderíamos definir o goticismo como uma visão romântica, surrealista e medieval do mundo e da vida, entre outras características. Essa maneira de perceber as coisas conduz a um jeito de ser, que pode exteriorizar-se na estética pessoal e em alguns costumes associados aos góticos. Isso leva à conclusão de que uma pessoa gótica o é em seu interior, sendo que isso não necessariamente irá se manifestar em seu exterior. Vários motivos podem justificar essa ausência de manifestação, entre eles a pressão da família, da comunidade local (costumes) ou até mesmo uma opção própria pelo anonimato. Pode ainda a pessoa gótica não sentir essa necessidade, simplesmente; embora as pessoas mais próximas provavelmente notarão essas características de maneira a não julgarem algo anormal.
O romantismo é uma característica essencial do goticismo. Esse romantismo não está associado necessariamente a enlaces afetivos dirigidos a uma pessoa, e sim a um sentimento de extrema intimidade com a natureza e no encanto com suas características mais belas e terríveis. Além disso, o romantismo gótico, traduz-se também pelo bem-estar íntimo que a pessoa experimenta. Por isso, muitas vezes os góticos são tidos como pessoas que gostam da solidão. Isso não é exatamente uma verdade, ocorre que o gótico sente-se muito bem consigo mesmo, e por isso lhe apraz os momentos de introspecção. Neste caso, a solidão não é vista como algo ruim.