Cidadania
As religiões a favor da Infância.
Líder, você que vive na comunidade, encontra um grande número de situações que mostram como a violência dentro de casa atinge nossas crianças. Muitos fatos acabam se tornando um segredo dentro da família e ameaçam o direito de proteção da criança. Este ano, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 18 anos. Desde que foi instituído como lei em 1990, foram muitas conquistas. Mas para que a criança seja prioridade absoluta ainda há muito a ser feito.
Por exemplo, como podemos diminuir a violência dentro da família como determina o ECA? A Pastoral da Criança trabalha pela defesa dos direitos humanos, especialmente das famílias e das crianças mais pobres do Brasil. Nossa missão é estar a serviço das pessoas e garantir um dos direitos fundamentais da criança: viver com dignidade. Para isso, os voluntários da Pastoral da Criança desenvolvem ações de educação para a Paz na Família.
A instituição também participa das articulações inter-religiosas com esse intuito. Em abril de 2008, representantes de diferentes denominações religiosas e organizações de 16 países da América Latina e do Caribe, com a participação da Pastoral da Criança, reuniram-se na cidade de Bogotá, na Colômbia. O objetivo foi dialogar sobre como as Igrejas podem ajudar a superar a violência intrafamiliar.
As Igrejas participantes fizeram uma declaração na qual reconhecem que as crianças , adolescentes, jovens e mulheres são os que mais sofrem com relação às diversas formas de violência. Essa violência se manifesta a partir da dominação do homem sobre a mulher, do adulto sobre a criança, do abuso sexual, de castigos, do abandono, entre outros.
Diante dessa realidade, é urgente unificar os esforços, concluíram os representantes das religiões presentes do encontro. Por isso, ao voltar para seus países, animados pelas respectivas crenças, as Igrejas se comprometeram a:
# Aumentar o diálogo entre as religiões sobre o assunto.
# Promover parcerias e o trabalho conjunto entre organizações religiosas, civis, instituições e meios de comunicação em cada país.
# Motivar as instituições para um trabalho conjunto a favor das crianças e contra a violência intrafamiliar.
# Organizar espaços de formação, diálogo e ações contra a violência intrafamiliar, a partir da perspectiva de prevenção e da educação ética.
# Assumir a obrigação ética de proteger a vida em toda a sua extensão.
Líder, converse na sua comunidade para descobrir como as pessoas de diversas religiões podem atuar juntas contra a violência dentro de casa e na defesa dos direitos das nossas crianças. Vamos comemorar a maioridade do Estatuto da Criança e do Adolescente com ações concretas de promoção da paz e cidadania.
Clóvis Boufeur
Gestor de Relações Institucionais da Pastoral da Criança.
Jornal Pastoral da Criança - Julho/2008, pág. 13.