Dezembro é o mês cheio de expectativas: férias,final de ano,verão,festas,natal,novo ano se aproxima...Destes acontecimentos, o que não deixa ninguém indiferente é o natal. Todos nos contagiamos com a chegada do natal. É a grande alegria anunciada pelos anjos: nasceu Jesus, o salvador. Deus está conosco, veio morar junto a humanidade.
Esta criança tão insignificante, tão frágil, tão vulnerável é o nosso salvador.
Deus veio a nós como uma criança; como um balbucio que é fácil sufocar. É sufocado quando fazemos do natal a festa do consumo, do esbanjamento, dos presentes, das decorações luminosas...É sufocado quando não deixamos esta criança crescer, queremos que continue criança para não interferir nos nossos projetos, continue criança para não darmos atenção às suas palavras...
É preciso deixar esta criança crescer e falar em alta voz qual o projeto de Deus a respeito de cada um de nós e da nossa sociedade. Se a sociedade ouvisse o que esta criança veio dizer e prestasse atenção ao que veio fazer, certamente não teríamos tantos excluídos, pois ela veio justamente integrar os excluídos e marginalizados; não teríamos tantos mudos, pois ela veio dar voz a quem não tem; não teríamos tantos doentes, pois ela veio dar saúde aos que não a têm...
Deus age e se manifesta nas crianças: "deixai vir a mim as crianças". Demos um microfone e bom som às crianças porque elas também têm muito a dizer. Agucemos nossos ouvidos aos apelos de tantas crianças desesperadas, famintas e abandonadas.
Uma criança pobre, igual a tantas crianças de nossa sociedade, quer falar, escutemo-la.
(Liturgia diária ano III nº36 Dez. 1994)