Governo anuncia seis medidas para aumentar concorrência entre bancos e baixar juros
BRASÍLIA - O governo lançou um conjunto de seis medidas para aumentar a competição bancária e reduzir o custo dos empréstimos no país. A principal é a portabilidade de salários, aposentadorias e do crédito em geral — desde o cheque especial e do Crédito Direto ao Consumidor (CDC) até o financiamento para aquisição de bens e veículos. Além disso, o pacote prevê que a Central de Risco do Banco Central passe a registrar operações de valor abaixo de R$ 5.000, chegando a mil reais em dezembro do ano que vem.
Outra novidade é que o cliente poderá autorizar seu banco a fornecer seu histórico a outras instituições, que poderão fazer avaliações mais precisas sobre risco na hora de conceder crédito.
No entanto, a medida considerada mais importante pelo mercado para baratear as operações de crédito, a redução do depósito compulsório que as instituições precisam fazer no Banco Central (BC), ficou de fora. Também não foi autorizada, nesta leva, a portabilidade do crédito com desconto em folha e do financiamento habitacional.
Confira as medidas:
1) Criação obrigatória da conta-salário
- Hoje é facultativa. Entra em vigor em 1º de janeiro de 2007.
- Cria a facilidade da portabilidade da conta-salário, ou seja, o titular poderá ordenar a transferência dos recursos do salário para outra conta em qualquer banco, sem custo.
- Hoje, a empresa paga o salário numa conta qualquer (que não tem isenção). Quando você transfere para outro banco, além de todo mês ter que fazer isso, você paga uma tarifa e DOC. Com a nova medida, a comunicação se dará uma única vez.
- Na ocorrência, hoje, de contratos e convênios entre empresas e bancos, a situação será regulamentada aos longo dos próximos meses pelo CMN.
2) Portabilidade do crédito
- O pré-pagamento de uma dívida, oriunda de qualquer tipo de crédito livre, poderá ser feito por outra instituição financeira que queira o cliente, diretamente com o banco original da pessoa.
- Vale para pessoas físicas e pessoas jurídicas.
- Isso elimina taxas e burocracia. Mantega disse que é comum o banco penalizar, sim, quem quer quitar com antecedência um empréstimo, além de mandar o sujeito para "Piraporinha da Serra" para fechar a operação). Isso desestimula.
- A tarifa a ser cobrada agora pelo banco onde está sendo encerrado o crédito será pré-fixada e proporcional ao tempo que resta para pagar. Por exemplo: se o financiamento é de um ano e você já pagou 6 meses, a taxa cai 50%.
- A quitação se dá também sem pagamento de tributos, como CPMF e IOF.
- Estão excluídos da portabilidade, por enquanto, os créditos consignado e habitacional.
3) Edição de uma medida provisória que cria o Cadastro Positivo
- Será criado uma ficha cadastral com o histórico das operações das pessoas no sistema financeiro e também com seu histórico sobre questionamentos judiciais neste ramo.
- A intenção é ter informações precisas no sistema financeiro sobre cada, abrindo a possibilidade para que os bancos calibrem as taxas de juros cobradas de acordo com o perfil de risco do cliente.
4) Portabilidade do Cadastro entre instituições financeiras
- Complementa a idéia do Cadastro Positivo.
- O cliente poderá autorizar que seu cadastro (histórico) num banco seja pego pelo banco em que está abrindo uma nova conta.
- A transação será feita banco-banco, ao cliente basta autorizar a nova instituição.
5) Redução da Contribuição dos Bancos ao Fundo Garantidor do Crédito
- Será reduzido à metade o recolhimento que os bancos fazem mensalmente ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
- A alíquota cai de 0,03% para 0,015% (por ano).
- A cobertura do FGC, fundo que garante ressarcimento aos correntistas em caso de falência, por exemplo, sobe de R$ 20 mil para R$ 60 mil.
6) Ampliação dos registros da Central de Risco do Banco Central
- Hoje, o BC só registra operações de financiamento acima de R$ 5 mil.
- Será estendido o leque de monitoramento de registros de crédito para R$ 3 mil, em março de 2007, e R$ 1 mil, em dezembro de 2007.
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