01, 02 e 03 de fevereiro, às 19h, no Cine Lapa
O Grito Rock é o maior festival integrado do Brasil, realizado simultaneamente em diversas cidades do país. Este ano o evento acontecerá também em Buenos Aires (Argentina) e Montevidéu (Uruguai). No Estado do Rio, apenas a capital promoverá o carnaval das guitarras em plena folia de Momo. Os corajosos que se atreverão mais uma vez a fazer shows de rock em pleno carnaval carioca são Jô Rocha e Pedro de Luna, figuras conhecidas na cena underground local.
“O Pedro personifica o que é ser independente. Além de produtor e assessor de imprensa do festival, ele criou o flyer, vai expor os seus quadrinhos e participar do debate”, resume Jô. A parceria entre ambos começou no Grito Rock do ano passado, que aconteceu na Barra da Tijuca. “A Jô tem muita garra, trabalha o dia inteiro pelo sucesso do evento e não desiste fácil. Aprendemos muito junto”, devolve Pedro. “Ela é mais emocional, eu sou racional. Por isso nos equilibramos”.
Uma vez que o carnaval é uma festa democrática, a produtora da Tijuca uniu-se ao jornalista e cartunista de Niterói para dar espaço para todos, da zona norte a zona sul, passando pela zona oeste e outros municípios. “Fizemos uma convocatória para que os interessados se inscrevessem. Muitas bandas foram selecionadas através deste processo, como, por exemplo, o Sex Noise, o Private Dancers e o Mentsan. Outras foram convidadas mesmo” explica Jô. “O Mentsan inscreveu-se dois dias depois e o Wallace anexou um comprovante do boletim de ocorrência explicando o atraso. Ele havia sido roubado e os dados para inscrição estavam na carteira dele. Relevamos e, como o som é bom, aprovamos a participação”, relembra a produtora.
Democracia é mesmo o samba enredo do Grito Rock Rio 2008. Das 27 vagas, três foram destinadas a bandas do movimento Araribóia Rock, que há três anos representa os grupos de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. “Fizemos uma divulgação pela internet e, dentre os inscritos, escolhemos Seu Miranda, Set Setters e Lougo Mouro, uma para cada noite”, explica Luna. “E, no fim das contas, ainda convidei uma quarta banda papa goiaba, o Knutz”, completa Jô. Pedro comemora: “Espero que todos os shows sejam bons e abram as portas do Rio para o pessoal do lado de lá da ponte”.
Sem nenhum patrocinador, o festival não pôde contratar bandas maiores, mas nem por isso ficou sem headliners ou grandes atrações no encerramento dos três dias. “Pelo contrário, teremos o Martiataka, de Juiz de Fora, os gaúchos do Drive e os Mixiricas, de Volta Redonda”, enfatiza Rocha. “Para fechar, também escolhemos a dedo nomes como Cabaret, Coopercobras e Mustang, do lendário Carlos Vândalo, que nos anos 80 era vocalista da banda de heavy metal Dorsal Atlântica”, endossa Pedro.
Mas nem só de shows vive o Grito Rock Rio 2008. Antes dos shows e nos intervalos serão exibidos clipes de bandas independentes e documentários como o Faça Você Mesmo, que mostra a trajetória e as dificuldades de bandas como Leela, For Fun, Ramirez, Dead Fish e Dibob, entre outras. Além disso, haverá venda de CDs e camisetas, discotecagem com os DJs Terror, Fabiano e Renato Jukebox, além da exposição de quadrinhos Bandas Desenhadas. E mais: no sábado, das 17h às 20h, acontecerá um debate com o tema “O Futuro da Cena Independente no Estado do Rio”, com entrada franca. O Cine Lapa fica na rua Mem de Sá 23, na Lapa.
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