EIS UM POUCO DA HISTÓRIA DO GOTICISMO PRA AQUELES QUE NÃO CONHECEM, PASSEM A CONHECER E ASSIM, DEIXEM DE PENSAREM E DIZEREM BESTEIRAS!!!
GÓTICOS
De acordo com o dicionário, gótico significa: "Diz-se de um estilo arquitetônico que floresceu na Europa durante os séculos XIII e XIV, e se manifesta, sobretudo, nos ogivas".
Nomeia-se "gótico" tudo aquilo que seja "dark", sombrio. Isso surgiu, principalmente, nas construções de igrejas existentes até os dias atuais na Europa (França, Inglaterra e Itália - estas que tiveram grande influência católica na época medieval). Mas não foi somente nas igrejas que esse estilo arquitetônico deixou suas marcas. Castelos de pedra com suas gárgulas (monstros protetores) e criptas dotadas de símbolos tribais detalhistas também pertencem a tal gênero.
Entretanto, atualmente e popularmente, "gótico" serve para diversificar um grupo de pessoas que vivem com o que os especialistas classificam como sendo a "sombra da personalidade". Os góticos são extremamente raros (em São Paulo, por exemplo, é possível contá-los nos dedos) a ver que isso não é simplesmente um estilo de moda, e sim uma personalidade, já que eles criam um mundo para si mesmo. Antes, eram facilmente identificados por trajarem roupas negras, maquiagem pesada e acessórios metálicos. Infelizmente, com a modernização dos tempos, esse estilo começou a ser explorado por pessoas nada góticas: roqueiros, metaleiros, skinheads e, absurdamente, "populares" que acham que tudo na vida é uma moda que precisam conhecer.
Isso é um erro. Góticos não procuram freqüentar lugares comuns como danceterias e - pasmem – praias (onde esses "populares" criaram a chamada "modinha"). Nenhum gótico que se preze agüenta viver em um lugar onde o sol é venerado desesperadamente por todos aqueles que aparecem. Também preferem o silêncio à algazarra, o que é provado por suas incursões aos cemitérios.
O fato de preferirem cemitérios é uma regra aos góticos, já que permanecem desde os tempos medievais, seu surgimento. Mas eles não aceitam qualquer cemitério: possuem preferências aqueles que possuam alguma arquitetura gótica, nem que seja uma única cripta. Com isso, é fácil deduzir seu estilo musical. Como escolhem o silêncio e arquitetura gótica permanece, principalmente, em símbolos católicos (igrejas e cemitérios) o estilo preferencial são músicas sacras (com coro cristão mesclado com toques de instrumentos musicais de impacto - guitarra, bateria, teclado e órgão) e NEW AGE. Pode, sim, ter um certo estilo rock. Mas é um rock sombrio, com coro ao fundo, que passa a idéia de violentamente misterioso. Pelos góticos serem raros tais estilos são escassos e pouco difundidos.
Essa minoria de personalidade também pode acarretar problemas aos góticos. São vistos sempre com certo receio pela sociedade devido a sua maneira de ver a vida. Também são abordados pela polícia e, se forem pegos dentro de um cemitério, é cadeia na certa, sem direito a explicação. O pior é com relação aos temidos skinheads. Para os góticos eles abrem uma exceção ao racismo (já que os góticos costumam ser extremamente brancos), partindo para a violência de maneira covarde, com muita crueldade. Isso faz com que os góticos sejam obrigados a vestirem-se como pessoas normais diariamente, só usando as vestimentas que realmente gostam quando estão juntos.
Como mencionado, a arquitetura gótica surgiu no séc XIII e, com ela, seus adoradores. Se analisarmos a diferença entre o período medieval e os dias de hoje, veremos o quanto a modernidade transformou o mundo em todos os aspectos. Sendo assim, o estilo de pessoas góticas não seria uma exceção. Para isso, pode-se classificá-los em duas facções: os Góticos e os Dark-góticos.
Em suma os Góticos, são aqueles que, logicamente, além de cultivarem tal personalidade, adotam as vestimentas e acessórios. Mais populares, espalhados em pequenas "tribos". Toleram freqüentar qualquer tipo de lugar (dentro do possível), curtindo músicas de estilo rock também. Alguns sim, pode-se afirmar pertencerem a negra personalidade, sendo obrigados a tolerar pessoas inexperientes que tentam agirem como tais sem antes entenderem sua verdadeira personalidade. Freqüentam cemitérios sem problemas. Ultimamente, alguns até deixaram de freqüentar por motivos que desconheço. Costumam levar bebidas e, os já "perdidos", drogas. Talvez seja esse o motivo da polícia.
Os Dark-góticos seriam os "góticos de origem", os quais são muito raros e que pregam em manter vivo o mito surgido pela sociedade medieval. Tal mito, seria na verdade um estilo de vida, e surgiu quando não havia nenhuma dessas divisões citadas acima. Pessoas que sentiam-se oprimidas perante as rigorosas leis criaram a personalidade. Opuseram-se aos requintes da sociedade, afastando-se de todos, passando a viver em florestas e lugares abandonados, onde só emergiam perante à escuridão da noite. Graças a isso que surgiu uma das lendas mais assustadoras do terror: os vampiros. É de se imaginar, a sociedade da época, tão ligada ao catolicismo, se deparando com aqueles "estranhos" vestidos de negro, desprovidos de fé, que freqüentavam cemitérios noturnos rodeados de velas que realçavam suas faces pálidas.
Deve-se deixar claro que apesar do fato de adorar a escuridão, esses indivíduos não praticam rituais de magia negra, não fazem sacrifícios em adorações ao demônio, nem nada parecido. Para os góticos, a cor negra é mais uma espécie de resistência ao sofrimento pelo qual dizem-se passar e respeito a morte, onde lamentam a própria existência através da inexistência de esperança. Gótico, as vezes não é somente aquele que se veste e age como tal. A personalidade pode nascer no interior da pessoa sem que esta perceba. Mas ela não consegue expor por insegurança, timidez e, principalmente, medo da reação alheia, já que a pessoa se sente tão diferente dos demais.
Certos desvios de personalidade podem vir a definir os góticos. Pessoas dotadas de profundo trauma, rebeldes ao máximo e excessivamente depressivas acabam por cultivar e selecionar tal personalidade. Uma pessoa chega ao máximo quando colore as paredes do quarto de negro, impedindo a luz , acabando com qualquer feixe de esperança.
Diante de tais fundamentos, alguns mais violentos, certos góticos tomaram a liberdade de diversificar como algo mais acessível e aceitável para si mesmo. Nos países europeus, esse estilo é mais abundante, perante as construções arquitetônicas e também a raiz de sua origem. Principalmente na Itália, Grécia (o "berço" do latim, a língua sacra), Inglaterra e Alemanha. Esta, onde, "coincidentemente" surgiu o mito vampiresco, levando a crer que foi em tal país o nascimento da personalidade gótica.
Os Dark-Góticos (góticos de origem) não se manifestam contra as mudanças de estilo de sua personalidade. Apenas conservam a verdadeira essência do termo gótico para que não desapareçam nas trevas (ou para eles, na luz) da modernidade.
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SKINHEADS
Os skinheads tradicionalistas não são neonazistas e nem todos são racistas. Todo mundo imagina que o movimento surgiu na Alemanha, mas na verdade ele surgiu na Inglaterra nos anos 60.
A idéia era unir pessoas que curtiam reggae (inspirados nos rude boys jamaicanos), os torcedores fanáticos de futebol (os chamados hooligans, ou boot boys) e jovens operários (incluindo aí os chamados Mods). Todos reunidos contra os hippies, seus cabelos compridos e seus discursos ingênuos.
Naquela época, os jovens começaram a raspar a cabeça para ficarem diferentes dos hippies, para poder brigar sem problemas e por higiene, principalmente no caso do pessoal que trabalhava no porto e não podia ficar pegando piolhos toda hora. Também começaram a calçar coturnos, uma herança operária.
Os skinheads curtiam - e curtem - diversos tipos de música. Os gêneros mais comuns são ska e punk dos anos 70.
O ska surgiu na Jamaica ainda na década de 60, sendo uma mistura de diversos ritmos caribenhos. O próprio reggae foi um desenvolvimento do ska. Destacam-se no estilo, em ordem "mais ou menos" cronológica: Desmond Dekker, Jimmy Cliff, The Ethiopians, Judge Dread, The Skatalites, Bad Manners, Madness, The Selecter, The Specials, The Beat, Less Than Jake, Link 80, Slapstick, Toasters e muitos outros. Os últimos, já na década de 90, misturam ska com punk, uma nova tendência.
Durante a década de 60, a principal gravadora de reggae/ska skin era a Trojan. Logo depois, surgiu a 2 Tone. Hoje em dia, a principal gravadora é a Moon Ska Records, de Nova Iorque. Em São Paulo, você pode ouvir ska no programa Skabadabadoo, da Brasil 2000 FM.
Já o Oi! é um punk rueiro (streetpunk, em inglês), bastante direto e simples, surgido no final da década de 70 e começo dos anos 80. A palavra "Oi", apesar da semelhança com o nosso "oi", vem da gíria cockney inglesa, significando "ei". Também é uma contração do termo grego "oi polloi", que significa "pessoa comum". A música "Oi! Oi! Oi!", dos Cockney Rejects, foi a primeira a fazer uso do termo.
As letras Oi! falam do dia-a-dia da juventude operária inglesa (e, posteriormente, do mundo todo): desemprego, trabalho, brigas, farras, gangues, prisão, orgulho, bebedeiras, autoridade etc., bem ao contrário do punk fashion, o punk de butique, como bem definiu Garry Bushell, "pai" do estilo e da primeira coletânea do gênero: "Oi! The Album."
O Oi! foi exportado para todo o mundo, influenciando inclusive a cena hardcore dos Estados Unidos - Agnostic Front, Sheer Terror, Youth Brigade e outras. Vale destacar aqui, também em ordem "mais ou menos" cronológica, as bandas Sham 69, The Lurkers, Cockney Rejects, Cock Sparrer, Angelic Upstarts, The 4 Skins, The Business, Last Resort, Infa Riot, Blitz, The Oppressed, The Bruisers, Anti-Heros, Patriot, Section 5, Klasse Kriminale, Bovver 96 e Dropkick Murphy's.
Aqui no Brasil, bandas Oi! com forte influência skin são: Garotos Podres, Vírus 27, Bandeira de Combate, Patriotas, The Skulls, Carbonários etc. Existe uma gravadora brasileira especializada em Oi!, é a Rotten Records, dirigida por um skin bastante conhecido por seus livros e poesia: Glauco Mattoso.
O último dos gêneros que fazem a cabeça dos skins é o punk rock básico, nascido na segunda metade dos anos 70. O Oi! e o punk rueiro têm praticamente o mesmo som. A diferença, basicamente, está no tema das letras.
Na Inglaterra, tudo começou com o Sex Pistols. Nos EUA, a semente está nos Ramones e The Stooges. Vale destacar a banda The Exploited que, apesar de fazer parte da segunda onda punk (o movimento "punk's not dead"), participou da primeira coletânea Oi! organizada por Garry Bushell, o "Oi! The Album". No encarte, o Exploited é descrito como "skinhead herberts from Edingburgh" (sic). Talvez por esse motivo, o movimento anarco-punk paulistano tenha se indisposto com Wattie (vocal do Exploited) e sua turma nos shows feitos no Brasil em 93 e em novembro de 2000.
O punk passou por várias metamorfoses, perdendo muito de seu espírito rebelde e contestador. Hoje o sistema já assimilou o punk de butique, tornando-o apenas mais uma moda, pelo menos no que diz respeito a bandas poppypunks, tipo Green Day, Offspring, Blink 182 e outras. Não podemos esquecer, porém, algumas bandas que aindam preservam a postura contestadora, anti-establishment, como Varukers, Refused, GBH e as nacionais Sick Terror, Calibre 12, Olho Seco, Invasores de Cérebros etc. O movimento skinhead, ao contrário do poppypunk, continua arrepiando famílias no mundo inteiro (talvez pela errônea associação com o neonazismo, o "tabu" moderno por excelência).
Apesar de terem se passado mais de 30 anos desde suas origens, o movimento skin mudou muito pouco no que diz respeito à aparência: coturno (a marca mais conhecida é a inglesa Doc Martens), suspensório, calça jeans (Levi's 505 ou similar), camiseta ou pólo (Fred Perry, Lonsdale ou similar), jaqueta de aviação e a cabeça raspada. O visual, aliás, inspirou Stanley Kubrick no filme Laranja Mecânica.
Hoje em dia, há pelo menos 3 tipos de skinhead pelo mundo.
1) A maioria deles são os chamados "tradicionais", que acreditam nos valores originais do skinhead. Muitos são o que se chama de "Espírito de 69", ou seja, procuram reproduzir exatamente os skins dos anos 60 e ouvem apenas reggae e ska. Outros são mais ligados ao Oi!, e a maioria gosta tanto de Oi!, quanto de punk 77, reggae, ska, soul, etc... A política fica em segundo plano, e todos são contrários ao racismo.
2) Há também os skins assumidamente de esquerda, que podem ser "Sharp" (radicalmente anti-racistas que confrontam nazis) ou "Rash" (skins anarquistas ou comunistas). Estes convivem mais ou menos bem com os tradicionais, e ouvem as mesmas coisas, mas há um certo conflito, pois os "trads" chamam eles de fanáticos e eles chamam os "trads" de alienados...
3) Os skins nazis, que em geral usam visual diferente, curtem som diferente (puxado para o hard rock) e freqüentam baladas diferentes. São universalmente detestados...
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